Onde e como se formam as crenças no cérebro, e o que é envolvido no processo de aprendizagem
CRENÇAS E APRENDIZAGEM
Por Frederico Augusto Moura
IFAM - Coaching For Life
Palavras-chave: crenças, cérebro, aprendizagem, neurociência, psicologia
Hoje vou falar sobre um tema muito interessante: onde e como se formam as crenças no cérebro, e o que é envolvido no processo de aprendizagem. Esse artigo vai abordar tanto aspectos da neurociência bem como da psicologia, e mostrar como as nossas crenças podem influenciar a nossa capacidade de aprender novas informações e habilidades.
As crenças são formas de interpretar a realidade, baseadas em experiências passadas, valores pessoais, emoções e expectativas. Elas podem ser conscientes ou inconscientes, racionais ou irracionais, positivas ou negativas. As crenças podem ter origem em diferentes fontes, como a família, a escola, a religião, a mídia, os amigos, etc.
O cérebro é o órgão responsável por processar as informações que recebemos do mundo externo e interno, e gerar as nossas crenças.
Existem três sistemas cerebrais envolvidos no aprendizado e estabelecimento das crenças são eles:
Cognitivo;
Emocional;
Comportamental.
Para explicar melhor, o cérebro é composto por diferentes áreas e sistemas que se comunicam entre si por meio de redes neurais.
- O córtex pré-frontal: é a parte mais desenvolvida do cérebro humano, e está relacionada com funções executivas, como planejamento, tomada de decisão, raciocínio lógico, criatividade e autocontrole.
- O sistema límbico: é o centro emocional do cérebro, e está envolvido com sentimentos, memórias, motivação e recompensa.
- O hipocampo: é uma estrutura que faz parte do sistema límbico, e tem um papel fundamental na formação e consolidação da memória de longo prazo.
- A amígdala: é outra estrutura que faz parte do sistema límbico, e está associada com a resposta ao medo, ao estresse e à ansiedade.
- O cerebelo: é uma parte do cérebro localizada na parte posterior da cabeça, e está relacionada com o controle motor, a coordenação e o equilíbrio.
O processo de aprendizagem envolve a interação entre essas áreas cerebrais, que modulam a forma como percebemos, armazenamos e recuperamos as informações. A aprendizagem pode ser definida como uma mudança duradoura no comportamento ou no conhecimento, resultante da experiência. Existem diferentes tipos de aprendizagem, como:
- A aprendizagem declarativa: é aquela que envolve fatos, conceitos, regras e eventos que podem ser verbalizados ou expressos simbolicamente. Por exemplo, aprender o nome de uma capital ou a data de um acontecimento histórico.
- A aprendizagem procedural: é aquela que envolve habilidades motoras ou cognitivas que podem ser executadas automaticamente ou com pouca atenção consciente. Por exemplo, aprender a andar de bicicleta ou a tocar um instrumento musical.
- A aprendizagem implícita: é aquela que ocorre sem intenção ou consciência explícita do aprendiz. Por exemplo, aprender uma língua estrangeira por exposição ou aprender uma preferência por um estímulo associado a uma recompensa.
As nossas crenças podem afetar o nosso processo de aprendizagem de várias formas. Algumas delas são:
- As crenças podem influenciar a nossa atenção seletiva, ou seja, o que escolhemos focar ou ignorar no ambiente. Por exemplo, se temos uma crença positiva sobre um assunto, podemos prestar mais atenção às informações que confirmam essa crença e desconsiderar as que a contradizem.
- As crenças podem influenciar a nossa memória seletiva, ou seja, o que escolhemos lembrar ou esquecer das informações que recebemos. Por exemplo, se temos uma crença negativa sobre nós mesmos, podemos lembrar mais facilmente dos nossos erros e fracassos do que dos nossos acertos e sucessos.
- As crenças podem influenciar a nossa interpretação seletiva, ou seja, o significado que atribuímos às informações que recebemos. Por exemplo, se temos uma crença otimista sobre o futuro, podemos interpretar os obstáculos como desafios e oportunidades de crescimento.
- As crenças podem influenciar a nossa motivação e autoeficácia, ou seja, o nosso desejo e a nossa confiança em realizar uma tarefa ou alcançar um objetivo. Por exemplo, se temos uma crença de que somos capazes de aprender algo novo, podemos nos sentir mais motivados e persistentes diante das dificuldades.
Portanto, podemos concluir que as crenças são construções mentais que podem facilitar ou dificultar o nosso processo de aprendizagem, dependendo de como elas são formadas e mantidas. Para aprendermos melhor, é importante termos consciência das nossas crenças, questionarmos as que são limitantes ou distorcidas, e buscarmos evidências que as sustentem ou refutem. Além disso, é importante cultivarmos crenças positivas e realistas sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo, que nos estimulem a buscar novos conhecimentos e experiências.
Espero que você tenha gostado desse artigo, e que ele tenha contribuído para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Se você quiser saber mais sobre esse assunto, recomendo a leitura dos seguintes livros:
- Crenças: Caminhos para a saúde e o bem-estar, de Robert Dilts, Tim Hallbom e Suzi Smith.
- Aprendizagem baseada no funcionamento do cérebro humano, de Renato M.E. Sabbatini.
- Neurociência da aprendizagem: Como o cérebro aprende e como ensinar melhor, de Pierluigi Piazzi.
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Um forte abraço e até a próxima!
Bibliografia:
- Dilts, R., Hallbom, T., & Smith, S. (1999). Crenças: Caminhos para a saúde e o bem-estar. São Paulo: Summus Editorial.
- Sabbatini, R.M.E. (2003). Aprendizagem baseada no funcionamento do cérebro humano. Campinas: Instituto Edumed.
- Piazzi, P. (2011). Neurociência da aprendizagem: Como o cérebro aprende e como ensinar melhor. São Paulo: Aleph.
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